Querida Clara,

O ano passado por esta altura tinha feito muito do que me faz bem. Este ano, as prioridades estão trocadas, as vontades adiadas, o tempo para mim não existe e há uma tensão constante no trabalho, que me consome muito mais do que o que seria necessário. Já aprendi algo nestes trinta e dois anos de vida: ninguém nos paga, ou agradece o esforço que fazemos (podem fazê-lo, mas não o fazem realmente, porque no fundo, um dia, todos somos descartáveis). Por outro lado, mesmo sabendo isso, há o sentido de responsabilidade que não consigo deixar para trás, perante a necessidade de que tudo se faça, tudo se resolva, e pelo melhor. Aquilo que já tenho como verdades absolutas na minha vida, nem sempre consegue ser aplicado. Adio. Adio o que me faz bem. Adio a vida calma, enquanto penso todos os dias que me apetece mudar de vida, que um dia hei-de ter o tempo só para mim. Adio as idas à praia e os mergulhos no mar. Adio as tardes com a família e as noites de tranquilidade e namoro. Adio os livros cuja leitura está por terminar. Adio a escrita no blogue, os passeios com os cães, as corridas e o regresso ao desporto. Adio as tardes relaxadas nas esplanadas e as risadas com os amigos. Estou sempre com sono, a fugir, com o tempo contado. Não sou assim no verão, onde normalmente o trabalho se serena, e está a consumir-me saber que no fim de julho o único mergulho que dei foi às oito da noite, porque não resisti e atirei-me sem biquini. A vida tem que ter um equilíbrio, eu perdi o meu e por esta altura já me apetece estar off, muito off, e esquecer-me do mundo. Não vou adiar mais.   

2 comentários

  1. Pelo menos estás ciente do teu presente, está agora nas tuas mãos partir para a mudança na esperança de chegar ao slow living aka viver à séria. Um abraço forte!

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